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POLÍTICA

Redes sociais ganham peso na campanha e devem ser principal fonte de informação do elitor

Pesquisas mostram avanço das plataformas digitais na formação da opinião política, enquanto televisão e horário eleitoral perdem espaço entre os eleitores

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Na exata virada do sábado para o domingo, as redes sociais foram inundadas de publicações pré-agendadas. A campanha eleitoral invadiu as plataformas com vídeos e imagens estáticas, agora, como a lei já permite, com os números que cada candidato será votado nas urnas.

O primeiro dia de campanha, pelo menos para candidaturas majoritárias e com chances reais de vitória, também tomou as ruas, mas a maioria, claro, precisou esperar o dia nascer. Afinal, o objetivo é encontrar apoiadores e eleitores frente a frente.

Ainda durante a manhã, as campanhas começaram a soltar nas redes os primeiros vídeos dos atos realizados no domingo (16). Quem teve condições de ostentar boas imagens, com concentração de apoiadores, de preferência nas cores da coligação, não perdeu a chance.

Tanta atenção às redes sociais não é à toa. Elas já se tornaram o principal meio pelo qual os brasileiros pretendem acompanhar informações sobre as eleições de 2026. É o que aponta a 169ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com o Instituto MDA Pesquisa.

Segundo o levantamento, 45,6% dos entrevistados afirmam que pretendem buscar informações e notícias sobre o processo eleitoral pelas redes sociais. A televisão aparece em segundo lugar, com 33,9%, seguida por sites e portais de notícias, com 8,5%. Jornais e revistas somam 3,2%, enquanto o rádio é citado por 3,1%. Outros 5,1% dizem que não costumam buscar informações sobre política.

Construção da imagem

Os números ajudam a explicar por que as campanhas passaram a tratar as plataformas digitais como um dos principais campos da disputa. Não se trata apenas de divulgar atos, agendas e propostas. A presença nas redes permite aos candidatos construir uma imagem pública, alcançar eleitores diretamente e medir, em tempo real, a repercussão de cada publicação.

Um estudo do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política (COMP) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), sobre as eleições de 2022, já havia identificado uma relação importante entre desempenho digital e resultado eleitoral. A pesquisa analisou as 513 campanhas vitoriosas para deputado federal e apontou correlação direta entre engajamento nas redes sociais e número de votos em 74% dos estados.

O levantamento cruzou dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com métricas do Facebook e do Instagram. Em nove estados, o impacto das redes foi considerado forte; em sete, moderado; e em quatro, fraco. O Instagram apareceu como a principal plataforma eleitoral, embora o Facebook ainda mantivesse relevância em alguns estados.

A pesquisa também identificou uma relação entre presença digital e renovação política. Entre os 25% dos deputados mais engajados no Instagram, 72% estavam no primeiro ou no segundo mandato. No Facebook, o percentual era de 66%. Para os pesquisadores, os dados indicavam que as redes podem favorecer novas lideranças, reduzindo a dependência de estruturas partidárias tradicionais.

De 2022 para cá, porém, o ambiente digital mudou. TikTok, vídeos curtos, algoritmos e ferramentas de inteligência artificial ganharam espaço, tornando ainda mais veloz a circulação de conteúdos políticos. A própria pesquisa da PUC-Rio apontava o avanço dessas ferramentas como uma das tendências para o ciclo eleitoral seguinte.

Propaganda de rádio e TV

A pesquisa mais recente da CNT mostra outra mudança importante: a televisão já não ocupa o primeiro lugar quando o eleitor é perguntado sobre onde pretende buscar informações sobre a eleição. Isso não significa, contudo, que os meios tradicionais tenham perdido toda a relevância.

O levantamento mostra que 48,2% dos entrevistados não pretendem acompanhar o horário eleitoral gratuito. Entre os que pretendem assistir, 33,2% dizem que acompanharão apenas em alguns dias e 18,3%, em vários dias.

Ao mesmo tempo, 62,9% atribuem importância média ou muita importância às propagandas eleitorais veiculadas na televisão, no rádio e na internet para a decisão do voto. O dado sugere que a propaganda continua relevante, ainda que a forma como o eleitor chega a ela esteja mudando.

Há também um problema de comunicação das propostas. Para 42,2% dos entrevistados pela CNT, não é possível avaliar como as propostas dos candidatos são divulgadas. Outros 33,3% consideram que elas são restritas ou mal divulgadas. Entre os 53,8% que dizem conhecer as propostas, 58,5% avaliam que elas são difíceis de entender e pouco detalhadas.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada entre 5 e 9 de agosto de 2026, com 2.002 entrevistas presenciais em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa da PUC-Rio, por sua vez, oferece um retrato do ciclo eleitoral de 2022 e ajuda a dimensionar a evolução do fenômeno. Já os dados mais recentes indicam que, quatro anos depois, o eleitor brasileiro chega à nova disputa ainda mais conectado às plataformas digitais.

A informação é do site Opinião CE.

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