Os primeiros dias da campanha presidencial foram marcados por um fato que chama atenção: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão evitando o confronto direto. Os dois faltaram ao primeiro debate presidencial, promovido pela TV Band no último domingo (23), o que praticamente esvaziou o programa. Os púlpitos vazios não foram problema de agenda, mas cálculo político. E esse cálculo pode ser lido em três dimensões. A primeira é aritmética. Lula e Flávio lideram todas as pesquisas, com margens folgadas. Os três candidatos que subiram ao palco, Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, não somam dez pontos. Em um debate desse formato, o líder tem muito a perder e pouco a ganhar. No caso de Lula, seriam cinco adversários em busca de um único momento contra ele. Sem o presidente na mesa, Flávio também não foi: não quis ser o alvo solitário. A ausência dos dois provocou mais uma baixa, a de Romeu Zema (Novo). [render name="Veja também" contentId="1.3786891"] A segunda é a disputa interna à direita. Para o filho de Jair Bolsonaro, dividir palco com Caiado, Zema e Renan Santos seria dar palco justamente a quem disputa o mesmo eleitorado e aposta que ele derrape. Uma candidatura de direita pode se construir em uma oportunidade dessas, e o PL sabe disso. A terceira é o calendário. Nesta sexta-feira (28) começa o horário eleitoral obrigatório em rádio e TV. Quem terá tempo próprio, roteirizado e sem contraditório não escolhe um ambiente hostil como o debate. Os dois preferem estrear no formato que controlam. Eleitor tem direito ao debate A estratégia de PT e PL parte do pressuposto de que a eleição já está resolvida entre os dois. Ausentar-se dos debates, porém, é privar o eleitor do direito de ver as propostas dos candidatos confrontadas em um ambiente aberto, público e necessário. E ainda faltam 40 dias para a eleição. Os fatos podem forçar uma mudança de estratégia.
A informação é do site Diário do Nordeste.

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