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Catarina Matos vê “retrocesso” no Senado e cobra mais participação popular nas decisões

Em sabatina ao Opinião CE, candidata da Unidade Popular afirmou que partido quer ampliar participação nas eleições para apresentar seu programa e defendeu um mandato no Senado baseado no diálogo direto com a população

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A candidata ao Senado pelo Ceará Catarina Matos (UP) defendeu a participação da Unidade Popular nos processos eleitorais majoritários como estratégia para ampliar a presença da legenda e apresentar seu programa à população. Professora da rede pública estadual e militante de movimentos sociais, ela também criticou a atuação do Senado Federal e afirmou que a Casa vive um momento de “retrocesso” na relação com a população.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pelo Opinião CE e publicada nesta quarta-feira (26), às 10h. A iniciativa reúne candidatos ao Senado para ampliar o espaço de debate público e permitir que os eleitores conheçam propostas, prioridades e posicionamentos dos postulantes. Todos os candidatos à Casa que estavam inscritos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e haviam anunciado candidatura dentro do prazo foram convidados para participar.

Segundo Catarina, a Unidade Popular surgiu a partir da articulação de mais de 20 movimentos sociais e decidiu participar das eleições para disputar espaços institucionais e apresentar uma proposta de transformação social.

“Percebemos que o espaço do processo eleitoral, ainda que, na nossa visão, não seja completamente democrático, porque tem uma série de regras e benefícios e privilégios aos partidos dos ricos, a gente percebe que é um momento em que a sociedade está olhando para a política”, afirmou.

Para a candidata, a presença da legenda nas eleições é uma oportunidade de ampliar o debate sobre o projeto político defendido pela UP. “É uma forma do nosso partido, que é um partido de luta, se expressar, se apresentar para as pessoas e apresentar esse programa, que é um programa de transformação da vida do povo”, acrescentou.

Candidata critica PT e se apresenta como “esquerda de fato”

Apesar de integrar o campo político de esquerda, a Unidade Popular faz oposição ao Partido dos Trabalhadores e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Catarina afirmou que o partido considera que o PT adotou posições mais próximas ao centro-direita ao longo dos últimos anos. “O Partido dos Trabalhadores, que é um partido social-democrata, tem, inclusive, nesse último mandato, ido muito à direita. A gente tem visto a forma como o governo Lula tem se movimentado em relação à questão da relação com os grandes ricos e empresariado e, inclusive, com os países capitalistas”, declarou.

Na avaliação da candidata, a principal diferença entre as duas siglas está no modelo econômico defendido pela UP.

“A grande diferença é que nós defendemos um sistema econômico totalmente diferente desse, onde a riqueza que é produzida pela classe seja distribuída, para que as pessoas tenham dignidade de viver, e não pensar em uma economia de interesses individuais privados”, explicou.

Catarina também afirmou que, entre os partidos que disputam as eleições majoritárias e proporcionais, a UP se destaca pela presença feminina. Segundo ela, a legenda possui mais mulheres do que homens entre seus candidatos e maioria feminina nas candidaturas aos Governos dos Estados.

Candidata ao Senado, Catarina Matos criticou a atuação do PT e afirmou que a UP representa uma “esquerda de fato”. Foto: Vitória Galdencio/Opinião CE

Candidata quer mandato com participação popular

Caso seja eleita para o Senado, Catarina afirmou que pretende construir um mandato baseado no diálogo direto com a população e na mobilização social. “Nós acreditamos que é possível, dentro do parlamento, fazer os enfrentamentos que têm que ser feitos e, como eu falei, convocar a população”, disse.

Para a candidata, a participação popular pode exercer pressão sobre o Congresso Nacional para influenciar a aprovação de projetos de interesse da população.

“Um parlamentar, um governador, um presidente convocando o povo a lutar pelos seus direitos é mais potente do que essa reunião de 50 homens, que, na maioria, são homens, decidindo pela vida das pessoas”, pontuou, ao criticar o funcionamento do Senado.

Catarina afirmou ainda que a UP pretende atuar em conjunto com o PT e outras legendas progressistas quando houver convergência de posições e defesa dos interesses dos trabalhadores. Segundo ela, porém, o partido não pretende abandonar seus princípios para estabelecer alianças. A candidata defendeu que a organização popular seja uma ferramenta para pressionar o Legislativo. Na avaliação dela, quando a sociedade se mobiliza, aumenta a capacidade de influenciar parlamentares e garantir a votação de projetos defendidos pela população.

A informação é do site Opinião CE.

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