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Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país antes de ser preso, segundo suspeita da PF

Mensagens encontradas no celular do dono do Banco Master foram enviadas a interlocutor que investigadores suspeitam ser o ministro do STF

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perguntou a um interlocutor, dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025, se deveria deixar o Brasil. A Polícia Federal suspeita que o destinatário das mensagens seja o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Em 15 de novembro, dois dias antes da prisão pela Polícia Federal (PF), Vorcaro teria enviado ao interlocutor: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na segunda-feira (17), o banqueiro foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

No dia anterior à prisão, Vorcaro também teria perguntado: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. Segundo o Estado de S. Paulo, em outra mensagem enviada no dia 15, ele questionou: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.

A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro. Horas depois, Vorcaro foi detido no aeroporto.

As mensagens fazem parte de um conjunto de dados extraídos do celular do ex-banqueiro que está sob análise da Polícia Federal. O conteúdo, porém, não permite saber o que o interlocutor teria respondido. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro e o destinatário utilizavam mensagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas. Na extração realizada pela investigação, foram recuperadas apenas as mensagens enviadas pelo banqueiro.

PF suspeita que interlocutor seja Moraes

A identidade do destinatário não foi inicialmente estabelecida. A investigação da PF, contudo, aponta a suspeita de que se trate de Alexandre de Moraes. Parte do material foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura fatos relacionados ao Banco Master. Mendonça pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o documento e deu prazo de cinco dias para a resposta.

Em outras mensagens, Vorcaro pede ao interlocutor que pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo” atuassem em seu favor. A PF interpreta as referências como sendo a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Em uma das mensagens, o banqueiro escreveu que era “importante reforçar com Andrei e Paulo” para evitar que alguém “de baixo” tomasse uma medida que pudesse comprometer o banco. Em outra, pediu que o interlocutor tentasse adiar uma operação da PF.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu Vorcaro, segundo os documentos citados pelas reportagens.

O conteúdo das mensagens, entretanto, não permite afirmar que Moraes tenha recebido os textos, respondido a Vorcaro ou tomado qualquer providência a partir deles. A suspeita sobre a identidade do interlocutor é atribuída à investigação da Polícia Federal.

Contrato com escritório da mulher de Moraes

O caso também envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

Segundo análise da PF sobre metadados de documentos encontrados no celular de Vorcaro, Moraes fez edições em uma minuta do contrato antes da assinatura. O acordo previa pagamentos de R$ 129 milhões ao escritório ao longo de três anos, segundo as informações divulgadas pelo Estado de S. Paulo.

Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance procurou Moraes, na condição de marido de Viviane, para verificar eventual existência de impedimentos legais à contratação. Segundo a defesa, não havia impedimento porque o contrato não previa atuação perante o STF e o ministro “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

O escritório também afirmou que o contrato foi assinado e os serviços advocatícios foram prestados. O vínculo entre o escritório e o banco durou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, mês em que o Banco Central decretou a liquidação do Master.

Moraes nega ter recebido mensagens

A existência de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor que a PF posteriormente passou a suspeitar ser Moraes não é um fato novo. Em março, O Globo revelou que o banqueiro havia enviado mensagens a Moraes no dia de sua primeira prisão. A informação também foi confirmada pela Folha.

Na ocasião, Moraes afirmou que não havia recebido as mensagens citadas nas reportagens e classificou como “ilação mentirosa” a afirmação de que elas teriam sido enviadas a ele.

Até a publicação das informações nesta terça-feira (1º), as assessorias de Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet não haviam se manifestado sobre o novo conteúdo.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para deixar o país. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

A informação é do site Opinião CE.

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