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Candidatos ao Senado levam polarização entre Lula x Flávio a debate no Ceará

A apenas nove dias do primeiro turno das eleições de 2026, os candidatos questionaram o alinhamento às pautas e padrinhos das candidaturas nacionais.

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O debate entre candidatos ao Senado pelo Ceará, que ocorreu nesta quinta-feira (24), foi marcado pela reprodução do cenário de polarização nacional. Os postulantes Alcides Fernandes (PL), Capitão Wagner (União), Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) evocaram questionamentos sobre o legado e as alianças do presidente Lula (PT) e do seu principal adversário na campanha à reeleição, Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

O debate foi realizado pelo Grupo de Comunicação O Povo no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Ceará (OAB-CE), em Fortaleza, com figuras que disputam as duas vagas do Ceará na Casa Alta.

A apenas nove dias do primeiro turno das eleições de 2026, os candidatos questionaram o alinhamento às pautas e padrinhos das candidaturas nacionais, levantando temas como a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, a gestão da pandemia de Covid-19 e obras de infraestrutura.

Além da disputa presidencial, o debate desdobrou-se sobre assuntos como a aplicação de emendas parlamentares no Ceará e denúncias mútuas envolvendo a gestão pública.

Padrinhos nacionais

O tema da polarização nacional já tomou espaço na abertura do debate, quando Luizianne Lins iniciou a rodada de perguntas livres questionando Alcides Fernandes sobre a condução da pandemia de Covid-19 pela gestão de Jair Bolsonaro. A candidata da Rede criticou a postura do ex-presidente diante da crise sanitária e cobrou uma avaliação do adversário sobre a gestão da época.

“O governo retardou a vacina, fez tráfico, inclusive, de vacina em situações adversas do que a maioria do povo estava vivendo. O governo matou mais de 700 mil pessoas na pandemia e, o tempo inteiro, zombava das pessoas”, declarou Luizianne Lins, acrescentando que o eleitorado do estado rejeitou a postura nacional do período. 

Alcides Fernandes respondeu ao questionamento declarando sua posição política e cobrando a adversária sobre a destinação de recursos estaduais. “Quero dizer à Vossa Excelência que eu sou um bolsonarista vacinado. […] O estado tem 4 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Agora eu queria perguntar por que, ao invés de enviar recurso para um estado tão sofrido, a senhora está enviando para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo?”, respondeu o candidato do PL.

Na sequência do confronto, Cid Gomes direcionou sua pergunta a Capitão Wagner, cobrando uma definição pública sobre qual candidato o oposicionista apoiará para a Presidência da República. O candidato do PSB ressaltou a importância do posicionamento nacional e defendeu a união do eleitorado em torno do atual chefe do Planalto.

“Essa chapa aqui é a chapa do Lula no Ceará. Lula é Elmano, Luizianne e Cid. […] O Lula é muito melhor para o Ceará e para o Nordeste do que o Bolsonaro, que é o candidato que você defende”, enfatizou Cid Gomes, argumentando que a aliança com a gestão federal garante investimentos vitais para o crescimento econômico e a geração de empregos no estado.

Em resposta, Capitão Wagner confirmou a opção pelo campo conservador na disputa presidencial. “E vou votar no Flávio, não tenho dificuldade. Porém, eu queria discutir o estado do Ceará, senador Cid, especialmente o que a gente tem pela frente”, afirmou Capitão Wagner.

O confronto sobre as gestões federais prosseguiu quando Luizianne Lins desafiou Alcides Fernandes e Capitão Wagner a citarem uma grande obra ou ação estruturante realizada pelo governo Jair Bolsonaro no Ceará. A ex-prefeita de Fortaleza criticou a falta de empreendimentos significativos em áreas sociais como habitação popular, saúde e ensino superior durante o mandato anterior.

Alcides Fernandes rebateu a cobrança citando intervenções de infraestrutura hídrica e repasses de emendas parlamentares. “Não vou listar todas as obras que o nosso ex-presidente fez, mas uma das obras que foi sublime foi trazer água para o povo do Nordeste na transposição do Rio São Francisco”, disse o candidato do PL, destacando também o envio de verbas para o Instituto do Câncer do Ceará e instituições de apoio social no estado.

Segurança pública

A segurança pública e o combate ao crime organizado representaram o segundo grande eixo de divergência entre os quatro candidatos. Capitão Wagner questionou Luizianne Lins sobre a proposta de classificar facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na categoria de organizações terroristas.

Wagner mencionou o tratado internacional “Escudo das Américas”, assinado por 14 países, para defender a tipificação mais severa dessas entidades. “Classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas é um passo para tentar resolver esse problema a nível nacional e local”, sustentou o candidato do União Brasil, defendendo ainda a redução da maioridade penal.

Luizianne Lins contrapôs a proposta afirmando que a medida compromete a soberania nacional ao subordinar o país a diretrizes de segurança impostas pelos Estados Unidos. “Não cabe que um país, principalmente um país que tem sido tão violento do ponto de vista da soberania do nosso país, que é os Estados Unidos, seja o fiel da balança em classificar qualquer coisa dentro do nosso país”, respondeu a candidata da Rede.

Alcides Fernandes reforçou o tom crítico em relação à situação da segurança no Ceará, apontando índices de homicídios e o deslocamento forçado de moradores na capital e no interior. O postulante do PL denunciou o avanço do crime organizado e criticou a atuação dos governos de esquerda na pasta.

“Nós vivemos num verdadeiro narcoestado. Filas enormes de pessoas morrendo nos hospitais, que se transformaram em verdadeiros corredores da morte”, afirmou Alcides Fernandes, declarando que a população cearense exige uma resposta firme contra a violência urbana.

Por sua vez, Cid Gomes argumentou que a superação da criminalidade exige reformas legislativas em nível federal aliadas ao fortalecimento de políticas públicas preventivas. O senador do PSB defendeu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para autorizar a atuação direta do governo federal na área da segurança pública.

“O principal desafio na área da segurança é fazer uma lei que vá permitir que o Governo Federal possa atuar mais firmemente nessa área”, pontuou Cid Gomes, ressaltando que o combate às facções deve ocorrer de forma integrada com os avanços no ensino público e na geração de renda.

Emendas parlamentares

A alocação de emendas parlamentares e acusações sobre conduta ética geraram atritos diretos durante as rodadas de confronto cruzado. Alcides Fernandes acusou Luizianne Lins de destinar verbas de suas emendas individuais para unidades da federação fora do Nordeste.

Já Luizianne classificou a acusação como mentirosa, argumentando que suas emendas atendem impositivamente a projetos de interesse direto da população cearense.

Na sequência do debate, Capitão Wagner voltou-se contra Cid Gomes cobrando explicações sobre a filiação partidária e declarações relativas ao ex-prefeito de Choró, Bebeto do Choró, investigado por supostos elos com organizações criminosas.

“O senhor deu uma entrevista dizendo que Bebeto do Choró é inocente, mesmo com relatório da Polícia Federal que aponta Bebeto como membro de facção, assassino, comprador de emendas e corrupção de toda ordem”, apontou Capitão Wagner, exigindo posições mais rígidas do ex-governador em casos de suspeita de corrupção.

Cid Gomes refutou as insinuações, alegando respeito ao princípio constitucional do amplo direito de defesa e esclarecendo que o partido afastou o filiado após ele se tornar foragido. “Eu enxergo a sua pergunta como uma brincadeira. Eu devo ter estado com o Bebeto umas duas vezes na vida, algumas na campanha lá em Choró. Eu nunca disse que Bebeto era inocente. O que eu digo sempre e manterei até o último dia da minha vida é o compromisso com o direito de defesa”, respondeu o candidato do PSB.

O clima de acirramento resultou em trocas de agressões verbais, como quando Alcides Fernandes chamou Cid Gomes de “traíra”, enquanto Cid recomendou que o oponente mantivesse a urbanidade no debate. As divergências motivaram diversos pedidos de direito de resposta por parte dos candidatos, porém todos foram indeferidos pela comissão jurídica.

A informação é do site Diário do Nordeste.

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