As eleições de 2026 colocam o marketing digital em uma posição cada vez mais estratégica na corrida pelo voto. Se antes televisão, rádio, comícios e material de rua concentravam boa parte dos esforços das campanhas, hoje a disputa política também acontece diariamente na tela do celular, onde candidatos precisam conquistar atenção, construir identificação e transformar alcance em confiança.
A própria Justiça Eleitoral evidencia o peso desse ambiente. A propaganda eleitoral, inclusive na internet, está autorizada desde 16 de agosto, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou para 2026 as regras relacionadas à comunicação digital, incluindo novas exigências para o uso de inteligência artificial e medidas direcionadas às plataformas digitais.
Para Matheus Farias, diretor da Alliance Produções e especialista em marketing digital, o cenário exige das campanhas uma compreensão mais profunda sobre comportamento e linguagem nas redes.
“Não basta transferir o discurso do palanque para o Instagram ou gravar vídeos todos os dias. No digital, existe uma disputa permanente pela atenção. O candidato precisa entender quem está do outro lado da tela, comunicar suas ideias de maneira clara e construir uma presença capaz de gerar identificação e confiança. Em 2026, uma estratégia digital bem construída pode ter um peso decisivo na percepção que o eleitor forma sobre uma candidatura”, afirma Matheus.
Nesse ambiente, vídeos curtos, transmissões ao vivo, conteúdos de bastidores, interação com seguidores e formatos adaptados às diferentes plataformas passam a integrar uma estratégia que vai além da simples busca por viralização. O desafio é fazer com que a comunicação digital seja capaz de traduzir propostas, personalidade e posicionamento em conteúdos compreensíveis e relevantes para diferentes públicos.
Inteligência artificial amplia desafios das campanhas
A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a essa transformação. Para as eleições deste ano, o TSE determina que conteúdos sintéticos multimídia produzidos ou manipulados por IA sejam identificados de forma explícita, destacada e acessível. Também permanecem restrições ao uso de deepfakes e de conteúdos falsos ou gravemente descontextualizados capazes de comprometer a integridade eleitoral.
Segundo Matheus, a tecnologia pode ampliar a capacidade de produção e análise das campanhas, mas não substitui estratégia e autenticidade.
“Ferramentas mudam muito rápido, mas eleição continua sendo uma disputa pela confiança das pessoas. A tecnologia pode ajudar a compreender comportamentos, produzir conteúdos e tornar uma operação mais eficiente, mas uma campanha que parece artificial ou distante da realidade do candidato também pode gerar rejeição. O grande diferencial será usar tecnologia sem perder humanidade”, explica.
Com o eleitor cada vez mais conectado e exposto a um grande volume de informações diariamente, a tendência é que a batalha eleitoral de 2026 não seja apenas por votos, mas também por atenção, relevância e credibilidade. Nesse cenário, compreender a lógica das plataformas e, ao mesmo tempo, respeitar os limites éticos e legais da comunicação eleitoral pode ser um dos grandes desafios das campanhas.
A informação é do site Opinião CE.

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