Por trás de um jingle eleitoral que parece simples e fácil de cantar, existe um processo de criação que busca transformar a história, o perfil e as propostas de um candidato em uma música capaz de chamar a atenção do eleitor. Para Edinho Gomes, produtor musical da Arte Music, o primeiro passo é entender quem é o candidato e qual conceito a campanha pretende transmitir. A trajetória política, a idade, a experiência e as propostas ajudam a definir a identidade da produção.
“O perfil do candidato é o que mais define o que vai ser o jingle, a história do candidato”, explica, em entrevista exclusiva ao Opinião CE.
A estratégia também leva em consideração o momento político vivido pelo candidato. Uma primeira candidatura, por exemplo, pode estar associada à ideia de renovação, enquanto outros projetos podem buscar transmitir continuidade. Características pessoais e propostas também entram na composição. “Se é um candidato jovem, se é um candidato mais experiente, qual é a proposta dele de governo, se ele vai trabalhar para as minorias, se ele vai trabalhar para construir algo mais estrutural”, afirma Edinho.
Uma campanha em forma de música
Na avaliação do produtor, o jingle funciona como uma espécie de resumo da campanha. A música precisa transformar diferentes informações sobre o candidato em uma mensagem simples, direta e capaz de criar identificação. “É um caldo de cultura. É uma mensagem que é muito direta. Ela tem que ir no coração do eleitor”, define.
A sonoridade também pode mudar conforme o público e a região onde a campanha acontece. No Ceará, por exemplo, jingles destinados a candidatos com origem no interior podem incorporar elementos da cultura nordestina. “Tem aqueles jingles que são mais emotivos, tem aquele jingle que é mais para o interior, com aquela raiz mais nordestina, que vem falar do sertão, que vem falar da origem do candidato”, relata.
A própria história do candidato pode virar parte da letra. Um político que deixou o interior para estudar ou trabalhar na Capital e depois retornou à sua região de origem, por exemplo, pode ter essa trajetória transformada em narrativa musical.
Os primeiros segundos ganharam importância
A maneira como as pessoas consomem música e informação também mudou a produção dos jingles eleitorais. Edinho conta que começou a trabalhar com esse tipo de produção em 2004, quando as músicas costumavam ser mais longas e apresentavam diferentes aspectos da trajetória do candidato. “Quando comecei, lá atrás, a gente fazia os jingles, os jingles eram maiores. A gente procurava colocar dentro da letra do jingle basicamente toda a história do candidato”, lembra.
Naquele período, segundo o produtor, havia maior espaço para o público ouvir a música completa. Mesmo assim, o refrão já tinha papel central por ser o trecho com maior potencial de memorização. “Geralmente o refrão tem que ser bom, tem que ser forte, porque geralmente é o refrão que pega mais, chama mais a atenção. É o ápice de toda a música”, explica.

Com o crescimento das redes sociais e dos vídeos curtos, o tempo para conquistar a atenção do público diminuiu.
“Hoje é tudo muito rápido, por conta do TikTok, das redes sociais. No geral, a mensagem é dada nos dez primeiros segundos”, afirma.
A mudança faz com que a identidade do candidato e a principal mensagem da campanha precisem aparecer rapidamente, sem perder a capacidade de transformar a música em algo reconhecível e memorável.
Sigilo também faz parte do trabalho
Nos bastidores de uma campanha, a produção musical envolve ainda uma preocupação adicional: manter o material em sigilo até o momento definido para o lançamento. “Nesse período de campanha, a gente tem que ter um sigilo, a gente tem que guardar debaixo de certa chave para sair no dia certo, para sair na hora certa”, afirma.
Segundo Edinho, o cuidado também está relacionado à concorrência entre as campanhas. Como o jingle pode se transformar em uma das marcas sonoras de uma candidatura, o material precisa ser preservado até a divulgação oficial. “Existe uma concorrência de um candidato com o outro e você tem que ter muito profissionalismo, muito respeito com o seu cliente nesse momento”, ressalta.
Quanto custa produzir um jingle?
O valor da produção depende do projeto e do formato contratado. Segundo Edinho, a produtora também trabalha com pacotes que reúnem várias produções. “A gente também fecha geralmente pacotes, de cinco, seis jingles, e aí a gente consegue fazer atender de uma forma mais acessível”, explica.
No cenário atual, marcado pela força das redes sociais e pelo avanço de ferramentas de inteligência artificial, o desafio é equilibrar velocidade e memória: criar uma música que consiga prender a atenção nos primeiros segundos, mas que também permaneça na cabeça do público depois que o vídeo termina. Assim, o jingle continua sendo uma ferramenta de comunicação política, mas sua produção acompanha as mudanças na forma como o eleitor consome música, informação e conteúdo.
A informação é do site Opinião CE.

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