A educação, as políticas públicas e o empreendedorismo social são fundamentais para ampliar oportunidades, gerar renda e reduzir desigualdades no Brasil. Essa é a avaliação de Manu Oliveira, cearense de Quixadá e fundadora da Social Brasilis, organização que conecta educação, geração de renda e transformação social.
Com duas décadas de experiência em movimentos sociais, ela analisa como as decisões políticas podem influenciar o futuro de famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente no contexto do segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Para Manu, programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, não devem ser compreendidos apenas como medidas imediatas de assistência. Ela destaca a importância dessas políticas para criar condições que permitam às novas gerações ampliar o acesso à educação, conquistar espaço no mercado de trabalho e participar de diferentes setores da sociedade.
“O Bolsa Família se fortalece aqui, quando eu tento garantir que uma família que está nessas condições de exclusão tente se colocar para que, no futuro, aquela próxima geração que está naquela família tenha protagonismo, tenha um espaço de fala”, afirma.
Na avaliação da empreendedora social, a ampliação do acesso ao ensino superior e a presença de profissionais de diferentes origens sociais em espaços antes restritos são exemplos de mudanças associadas às políticas de inclusão. “A gente já tem visto uma universidade pública mais diversa. A gente já tem visto profissionais mais diversos, profissionais que vêm das periferias, que vêm das favelas, profissionais pretos, pardos, indígenas, figurando postos que há 20, 30 anos atrás a gente não via”, destaca.
Manu defende que políticas públicas de incentivo contribuam para preparar as próximas gerações e construir uma economia mais igualitária e inclusiva.
A entrevista faz parte da série Opinião CE nas Eleições 2026 e pode ser conferida na íntegra no YouTube do Opinião CE.
Segundo turno e responsabilidade cidadã
Ao abordar a eleição presidencial, Manu Oliveira destaca que a participação nas urnas deve ser acompanhada de reflexão sobre as propostas dos candidatos e os efeitos das decisões políticas na vida cotidiana. Para ela, o voto é uma forma de exercer a cidadania e contribuir para os rumos do país.
“Acho que é muito importante ter uma atitude cidadã. Você saber do seu direito de escolher a legenda, os projetos que mais têm a ver com os teus desafios diários, mais os desafios coletivos desse país”, afirma.
A fundadora da Social Brasilis também ressalta que a participação eleitoral contribui para a formação crítica das novas gerações, ao reforçar a importância do compromisso com a sociedade. “Todo mundo paga imposto, então, é importante exercer o seu direito a voto e contribuir com esse processo que é decisivo para muitos”, diz.
Na avaliação de Manu, as escolhas políticas podem produzir consequências mesmo para quem não percebe, de imediato, uma relação entre as decisões do governo e a própria realidade. “Às vezes você acha que não está mexendo com você, mas quando analisa a situação por um olhar macro você percebe que cai na sua conta, sim”, afirma.

Políticas públicas e impacto na vida cotidiana
Manu também chama atenção para a relação entre a destinação dos recursos públicos e a capacidade do Estado de manter políticas e serviços essenciais. Segundo ela, gastos imprevistos podem exigir a realocação de verbas que seriam destinadas a outras áreas. A empreendedora cita a saúde pública ao discutir os impactos de questões sociais e econômicas, como o endividamento associado às apostas on-line, conhecidas como bets.
“Alguma política pública deixa de acontecer pelo simples fato de ter que alocar um recurso público pra cobrir algo que apareceu ali, foi imprevisto. Como é o caso da saúde pública, que eu citei no caso das bets. Acho que é importante entender o macro pra você ver”, explica.
A análise reforça, segundo Manu, a necessidade de compreender as políticas públicas de forma integrada, considerando seus efeitos sobre a economia, a proteção social e as oportunidades disponíveis à população.
Com atuação voltada à conexão entre educação, geração de renda e transformação social, a fundadora da Social Brasilis defende que o debate eleitoral também considere os impactos de longo prazo das decisões políticas, sobretudo para as famílias em situação de vulnerabilidade e para as gerações que estão em formação.
A informação é do site Opinião CE.

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