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POLÍTICA

Brasil vai às urnas com eleição indefinida entre Lula e Flávio

Nas vésperas do segundo turno, pesquisas trazem empate técnico entre os dois candidatos à Presidência da República.

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Cerca de 158 milhões de eleitores brasileiros estão aptos para decidir, no próximo domingo (25), quem assume a cadeira da Presidência da República pelos próximos quatros anos. De um lado, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca seu quarto mandato; do outro o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é a aposta de recolocar sua família no poder.

A extrema direita está confiante após chegar na frente no primeiro turno. O senador carioca recebeu 56.104.503 votos, que representou 47,03% dos votos válidos, ante a escolha de 53.879.538 brasileiros por Lula, que indicou 45,16% dos votos válidos. Já a campanha petista aposta em uma virada inédita para superar a diferença de mais de 2,2 milhões de votos. 

Como chegam as campanhas

Nos últimos dias, os dois candidatos visitaram diferentes capitais brasileiras e cidades do interior. Flávio apostou na ida ao Nordeste, onde historicamente seu adversário é mais bem votado. Nesta última semana, esteve em Aracaju e Fortaleza, por exemplo. A estratégia é similar à do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), um dos seus principais cabos eleitorais, que visitou seis dos nove estados da região. 

Lula, por sua vez, buscou em ampliar sua presença nas redes sociais na campanha de segundo turno, mas também realizou atos em diferentes estados do país. Um dos destaques foi a aposta de mobilização em municípios do interior de Minas Gerais — o estado costuma ser uma espécie de “termômetro” eleitoral. 

Nesta sexta-feira (23), foi o último dia de propaganda eleitoral gratuita na TV e os dois candidatos utilizaram estratégias distintas em sua última aparição nas telinhas. A campanha petista escolheu defender o trabalho feito nos últimos anos e a continuidade do projeto. Flávio, por outro lado, se colocou como opção de mudança. 

A campanha de Lula também retomou críticas ao histórico do adversário e apontou riscos de cortes em programas sociais. O seu adversário não citou o atual presidente, mas reforçou a ideia de acabar com o “sistema” e encerrou a propaganda com uma oração do Pai-Nosso.

Pesquisas

A disputa no segundo turno promete ser acirrada pelas últimas pesquisas eleitorais. Todas elas apontam um empate técnico, dentro da margem de erro. Numericamente, uma ou outra coloca um dos dois candidatos à frente. 

O levantamento do Datafolha da última quinta-feira (22) trouxe Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto, e Lula (PT) com 46%. Brancos e nulos somam 5%, os indecisos são 2%. Em votos válidos, que exclui justamente brancos, nulos e indecisos, Flávio e Lula estão com 50%.

Já em relação à última pesquisa, divulgada no último dia 15 de outubro, Lula cresceu um ponto percentual — saiu de 45% para 46%. Já Flávio, estagnou nos 47%. O Datafolha ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de setembro.

Outro instituto que traz acirramento na corrida eleitoral foi a Quaest, que apontou Flávio com 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula (PT) aparece com 44%. Mais uma vez, o senador carioca oscilou negativamente de um ponto percentual. A pesquisa ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro.

Já o estudo da Real Time Big Data, divulgada na sexta-feira (23), coloca uma vantagem maior para Flávio. Numericamente, o candidato da extrema direita tem 52% das intenções de voto, enquanto Lula soma 48%. Isso representa um empate técnico no limite da margem de erro, o que é pouco provável. 

Por fim, o levantamento da Vox Radar, publicado também nesta sexta-feira (23), coloca Lula na liderança nos votos válidos. O atual mandatário tem 50,6% das intenções de voto, enquanto o Flávio, 49,4%. A pesquisa ouviu 2.100 pessoas entre os dias 20 e 22 de outubro e tem uma margem de erro de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos.

Polêmicas

A segunda etapa da disputa presidencial trouxe alguns temas ao debate público. Um dos principais foi a suposta intervenção das plataformas digitais e das big techs no pleito. A campanha petista, especialmente, denunciou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tratamento desigual de redes sociais pertencentes à Meta — Facebook, Instagram e WhatsApp. 

A última polêmica envolveu o pedido de suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede), pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. O ministro Floriano de Azevedo Marques, contudo, acatou o pedido da campanha petista de que a medida não pode ser feita por decisão administrativa da Presidência da Corte. 

“Defiro ainda a liminar para os fins de determinar que a Presidência se abstenha de exercer sua competência administrativa […] para determinar a suspensão, retirada ou restrição o funcionamento do Canal designado “Exército de Lula” até que sobrevenha alguma decisão de Plenário em sede jurisdicional que emita decisão neste sentido”, diz um trecho da decisão. 

Outra pauta trazida para a discussão foi a abertura dos sigilos bancário, fiscal, telemático e telefônico, de Lula e Flávio, de seus familiares e de empresas ligadas aos dois. A proposta partiu do candidato do PT, no debate da Band, após o seu adversário fazer uma série de acusações contra o atual mandatário. 

Após uma semana de polêmica, as campanhas entraram em acordo, mas o ministro André Mendonça, relator do caso, entendeu que a Corte eleitoral não precisa interferir no tema e que os candidatos podem livremente tornar públicas as informações.

A informação é do site Opinião CE.

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